15 dezembro 2011

Passei! =]

Ontem fiquei sabendo que passei na seleção do mestrado!

E agora??? Agora tenho que me planejar, afinal 2 anos passam voando!!!

=D

29 setembro 2011

Desejo de Memória e Desejo de Esquecimento

Ontem assisti na aula de Memória e Informação o filme "Uma cidade sem passado" (Das Schreckliche Mädchen).


Sua protagonista chama-se Sônia. Ela, de uma tradicional família católica alemã, sempre viveu no meio religioso, tendo estudado em um colégio para meninas onde seu pai lecionara e sua mãe havia lecionado, onde também, seu tio era padre.

A personagem tem sua vida transformada quando, como ganhadora de um concurso literário do governo alemão é apresentada aos temas do novo concurso, optando pelo "Minha cidade durante o III Reich". Curiosa, Sônia decide pesquisar sobre, mas esbarra em aspectos burocráticos e referentes a propriedade privada etc, que não permitem que ela sequer comece a sua pesquisa, tendo no máximo vestígios sombrios da época.

A relação que ela busca estabelecer é de como sua cidade manteve-se neutra durante a II Guerra, e como ali os judeus não foram "caçados". Porém, seu tempo esgota-se e ela tem que desistir de sua pesquisa...

Entretanto, alguns anos depois, mesmo casada e com filhos, Sônia retoma essa ideia e volta a pesquisar o tema, porém, as mesmas barreiras de antes surgem, contudo ela não desiste e passa a lutar contra todos para ter acesso ao arquivo que possibilitará a sua pesquisa. O arquivo pessoal do prefeito à época do III Reich.

Contudo, é importante esclarecer que quando falo todos, digo que Sônia passa a enfrentar a Igreja, pois seus membros tem envolvimento direto com o passado que ela busca revelar, a família, pois seu marido e seus pais opõem-se a tal pesquisa, além do Estado, que muda leis, cria empecilhos e acaba por não permitir o acesso ao arquivo que ela tanto ambiciona.

Sob tais aspectos o filme é fabuloso, ao mostrar a evolução de Sônia, de uma menina de cabelos longos e ar inocente até a mulher decidida, que casa-se com o professor, tem os cabelos curtos e ousa nadar totalmente nua, na minha visão, a maior expressão de sua libertação.

Se Sônia é figura em evolução, por outro lado, temos o Arquivo, instituição engessada, sujeita à vontades políticas e a mandos e desmandos, servindo ao Estado e à Igreja na tentativa de proteger a população da cidade das revelações que aquele arquivo poderia trazer. Assim, temos imagens jogadas sob o fundo verde (chroma key) do interior de arquivos, talvez representando que ele está ali, mas não pode ser acessado. O Arquivo inclusive, mesmo com a vitória de Sônia nos tribunais, a impede de usá-lo porque, segundo eles, os documentos foram perdidos, ou estão emprestados, ou estão em péssimo estado, ou... ou...

Com o desenrolar do filme e contando com a "sorte", como ela mesma diz, Sônia consegue consultar o arquivo que deseja e finalmente pode revelar à cidade os fatos (repare que não falo em verdade, mas sim em fatos, pois são coisas distintas).

Assim, Sônia consegue lançar seu livro onde revela os fatos de acordo com as informações colhidas no acervo do ex-prefeito, porém, sua batalha fora longa e recheada de ameaças, pois muitos dos envolvidos no caso ainda estavam vivos, sendo inclusive agredida e quase morta. Tal fato me faz lembrar a discussão sobre a abertura dos arquivos da ditadura pelo governo brasileiro, assunto de post no meu blog, clique aqui e aqui. Onde a situação de ter envolvidos vivos parece ser preponderante na discussão, o agravante é o fato de eles ainda atuarem politicamente, bem como no filme...

Bom, já em se final, o filme nos reserva cena chave, onde Sônia recusa-se a aceitar que um busto seu, feito para homenageá-la, fosse exposto na prefeitura, chocando a todos que acompanharam a pesquisa da jovem, afinal, o que é maior do que ter a sua imagem lançada a eternidade? Mais uma vez, a personagem revela-se sensacional, pois ao quererem engessá-la, como fizeram com o Arquivo, ela se nega, pois, na minha visão, ela não queria ser um lugar de memória, na noção passada por Pierre Nora, mas sim, apenas, uma pesquisadora, uma historiadora em busca de fatos e não de verdades, pois se ela fosse engessada pelo busto, nada mais teria a fazer, senão viver dessas glórias, desse monumento...

O filme é sensacional, entretanto, é a sua personagem principal quem mais me chama a atenção, pois Sônia é o retrato da evolução, do questionamento. A menina religiosa e de cabelos longos, casa-se com o professor bem mais velho, tem filhos e lhe dá nomes judeus, volta a estudar, porém é nomeada doutora por diversas universidades sem ter concluído a faculdade, graças ao livro resultado de sua pesquisa. Separa-se em prol de sua pesquisa, torna-se fumante e por fim, aparece sua imagem nadando nua, numa espécie de libertação de costumes, de construção de um novo eu a partir de novas memórias, de novas identidades.

Sônia, assim, seria o retrato do pesquisador, descontente com "as verdades", questionador por natureza... E mesmo depois de tantas transformações, o desfecho do filme se dá no local mais sagrado e emblemático da cidade, a árvore onde preces são depositadas e onde Sônia sempre buscou força nos momentos difíceis, talvez por ali ser um resquício da época do III Reich, uma testemunha muda da história, portador das memórias daquele povo...

21 setembro 2011

Preservar para não repetir?

Li duas matérias bem interessantes sobre a mesma temática: preservar ou não as construções Nazistas?

Os link são:

Hitler's Atlantic Wall: Should France preserve it?

Uma montanha bávara à sombra de Adolf Hitler

Acredito que o debate deva acontecer, principalmente pela sombra nazista assolar até hoje a sociedade. Porém, creio que, como diz o Projeto do Arquivo Nacional - Memórias Reveladas, devemos preservar ou contar "Para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça". Assim, a preservação de lugares de trauma também é uma forma de manter presente a história que não queremos lembrar, mas que é imprescindível na construção da sociedade, do social.

22 agosto 2011

Coleção de Memórias

Alguém já se deu conta de que quase toda biblioteca tem uma coleção de referência, uma coleção de periódicos, uma coleção de obras raras e por aí vai? Mas se eu te dissesse que toda biblioteca deveria ter uma Coleção de Memória você saberia me dizer o que isso significa?

Bom, na minha visão, uma Coleção de Memória seria a coleção que arrola toda a documentação referente à história da biblioteca - nela estarão os antigos livros de tombo, catálogos, cadastros de usuários, controles de empréstimo e devolução, inventários e, claro, relatórios.

Nas Coleções de Memória a biblioteca coleciona a si mesma, para que sua história possa ser recontada, até mesmo quando ela não mais existir. Quer um exemplo? Darei dois...

Quando estagiava na Divisão de Manuscritos, dois importantes itens das Coleções de Memória de outras duas bibliotecas eram consultados. Explico: a Biblioteca Fluminense e a Biblioteca do Conde da Barca, foram duas das diversas bibliotecas incorporadas pela Biblioteca Nacional - afinal, como citei no meu Trabalho de Conclusão de Curso, as bibliotecas são colecionadoras, inclusive de outras bibliotecas - bom, os catálogos dessas duas antigas bibliotecas eram bastante procurados por pesquisadores, com as mais diversas finalidades, desde saber a procedência real de um livro, até recriar a história de tais coleções. Ou seja, os pesquisadores buscavam a memória dessas bibliotecas.

Então, ao manter preservados tais itens, quer dizer, ao criar uma Coleção de Memória, a biblioteca busca, como toda vez que colecionamos algo, se perpetuar através de tais registros ou relatos de memória.

Assim, nosso projeto acaba por investigar um dos aspectos de perpetuação da memória da biblioteca, que é a confecção de relatórios, mas nada nos impediria de trabalhar também com listas de inventários, livros de tombo, correspondências enviadas e recebidas etc, afinal diversos são os meios de perpetuação da memória.

Obs.: Achei que essa seria uma forma legal de explicar com o que eu trabalho no projeto e como pode ser importante manter tais registros.

02 agosto 2011

Coleção Ernesto Senna: A Construção de Uma Memória

Como tinha falado anteriormente, meu Trabalho de Conclusão de Curso tinha sido publicado nos Anais da Biblioteca Nacional, volume 128. Agora, apresento a vocês a versão digital que está no site da Biblioteca Nacional, basta clicar aqui.


25 julho 2011

A ciência na política*

Objetivando construir uma reflexão sobre a ação política no projeto de pesquisa que tenho construído discutirei alguns pontos nas próximas linhas, tendo como ponto de partida a reflexão de Nogueira (apud TOMANIK, 2009, p. 91), de que

[...] as ciências humanas [...] ainda que tenham por objeto real ou sensível os indivíduos humanos, com seu substrato orgânico, têm por objetivo formal certos fenômenos engendrados pela convivência humana e pela capacidade especificamente humana de simbolização.

Podemos chegar à conclusão, a partir de tal trecho de que a memória é uma representação social criada pelo homem, ou seja, um conjunto de símbolos, tradições, representações etc. Podemos perceber isso mais claramente ao pensarmos que a maneira mais comum de tornar a memória presente é erguer um monumento, pois dessa forma criamos um símbolo para sempre lembrar. Contudo, a maneira de se guardar, preservar e se lembrar de uma memória não acontece de forma tão inocente. Porém, antes, é melhor entendermos o que é memória.

Desde os Gregos, segundo Vernant (1973), o fenômeno memoralista faz parte do cotidiano, tanto que existia uma Deusa da Memória, Mnemosyne, cuja função era “revelar o que foi e o que será” (VERNANT, 1973, p.79). Nesse sentido a “[...] rememoração não procura situar os acontecimentos num quadro temporal, mas, atingir o fundo do ser, descobrir o original, a realidade primordial da qual saiu o cosmo e que permite compreender o devir em seu conjunto” (idem, p. 76-77). Assim, “O ‘passado’ é parte integrante do cosmo; explorá-lo é descobrir o que se dissimula nas profundezas do ser. A História que canta Mnemosyne é um deciframento do invisível, uma geografia do sobrenatural”.

O que nos leva a definição de Pomian (2000, p. 508), de que

A ‘memória’ é, em suma, o que permite a um ser vivo remontar no tempo, relacionar-se, sempre mantendo-se no presente com o passado [... Pois] entre o presente e o passado interpõem-se sinais e vestígios mediante os quais – e só deste modo – se pode compreender o passado; trata-se de recordações, imagens relíquias.

Dada tais definições e tendo em vista que a vertente mais explícita de nosso projeto é a Memória, não podemos achar que ela não se constitui numa decisão política. Pois ela, a memória, geralmente, representa o grupo dominante, ou vencedor, no caso de batalhas. Não por acaso, geralmente a história contada pelos “perdedores” ou por setores marginalizados pela sociedade só são acessíveis diante de atitudes individuais de preservação e não por atitudes do Estado e suas instituições.

Não é a toa que numa guerra o apagamento da memória do perdedor será sumário, não é leviano o fato de o exército brasileiro ter confiscado os documentos do Arquivo Nacional do Paraguai durante a Guerra, no século XIX. Não é a toa que os Estados Unidos bombardearam a Biblioteca Nacional do Iraque, em Bagdá, nada mais do que com o intuito de apagar, não deixar rastros para a reconstrução, ou se essa for possível, que seja incompleta.

E o mais curioso nessa relação de lembrar/esquecer é que por serem os arquivos, museus, bibliotecas e monumentos os locais de celebração e preservação da memória – “lugares de memória”, de acordo com Nora (1993) –, essas são as instituições que mais sofrem com a censura e destruição. Não foi por acaso que a Biblioteca de Alexandria foi destruída e reconstruída sucessivas vezes.

Observando com ainda mais atenção o escopo do nosso projeto, podemos verificar que a escolha do período englobado pelos Relatórios Institucionais da Biblioteca Nacional, a ser analisado – entre 1905 e 1914 – não foi por acaso, afinal, eu, enquanto pesquisador e influenciado pelo meu meio social, os escolhi.

Além do mais, ao verificar que tal período pode refletir, através da Biblioteca e de suas políticas de formação e desenvolvimento de sua coleção, o ideário dos dirigentes da instituição e do país de criar uma imagem de cultura e de urbanização do Brasil diante das outras nações, para tanto, um novo prédio foi projetado e construído. Com arquitetura magnífica e compondo um dos cenários mais significativos da paisagem carioca, tal edifício foi construído na recém inaugurada Avenida Central – projeto de Pereira Passos de urbanização e higienização da cidade, baseada em aspectos da arquitetura Parisiense – e em conjunto com o Theatro Municipal, a Câmara Municipal, o Museu Nacional de Belas Artes e o Centro Cultural da Justiça federal forma a tão famosa Cinelândia. Logo, o ideal de cultura e erudição reflete os aspectos de civilidade que os dirigentes desejavam que o mundo enxergasse no Brasil.

Assim, ter uma Biblioteca Nacional, cuja missão é preservar a memória do país, e que efetivamente cumprisse tal papel e tivesse um acervo raro e valioso é importante para que tal ideal se cumpra. Por consequência, enriquecê-lo é um dos meios para se alcançar tal objetivo e, por que não, preservar a memória dos 'escolhidos'. Atrevo-me a dizer que, na minha experiência na Biblioteca Nacional, cheguei à conclusão de que seu acervo é republicano e abolicionista. Mas basta um olhar mais atento para verificar que suas coleções mais importantes são incorporadas num momento de afirmação da república brasileira, onde a todo custo tentam fortalecê-la, diante da ainda ameaça dos monarquistas, no final do século XIX e início do século XX.

Nessa acepção, Halbwachs (2006) nos fala que a memória, apesar de individual, constitui-se num reflexo do coletivo, logo a memória é uma construção coletiva de grupos, sejam eles dominantes ou não, porém a memória que existe para a história oficial, será quase que invariavelmente, a dos grupos dominantes.
E mais, a biblioteca, sendo um local de pesquisa, e ao refletir tal interesse, só poderá oferecer ao seu público, obras, documentos, imagens que reflitam esse ideal e assim, provavelmente, os relatos e pesquisas que teremos serão nada mais do que confirmações do desejo dominante, desta forma, se a política não dita o que um projeto irá pesquisar, ela pode ditar ao que ele terá acesso e como terá acesso.

Sob esse prisma, basta entendermos que uma biblioteca é constituída de políticas, sejam elas de seleção, de acesso, de descarte, enfim que ela tem normas consagradas em sua prática de gestão que dirão a que público ela se direciona, o que ele encontrará ali e como ela poderá usufruir dos produtos e serviços oferecidos. Tais normas, regulamentos ou, simplesmente, políticas, constituem-se em ações baseadas no interesse e missão dos mais diversos segmentos sociais.

Logo, se missão de uma biblioteca nacional é salvaguardar a memória daquele país para que ela possa, de forma poética, ecoar no tempo futuro, para que se conheça o como foi, entenda o como é e, talvez, sirva de projeção para o como será, nada mais coerente do que se guarde o desejo de memória do governante ou do dominante. Assim, a memória será sempre fruto da tensão entre o lembrar e o esquecer, fruto das disputas pelo poder e pela afirmação do poder vigente. Não fosse assim, talvez não seria possível a reconstrução do passado de forma tão próxima ao que aconteceu, mas nunca de forma ampla, refletindo apenas o geral, o que foi mais representativo nos meios sociais.

REFERÊNCIAS

HALBWACHS, Maurice. Memória coletiva e memória. In: ______. A memória coletiva. São Paulo: Centauro, 2006. p. 26-70.

NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Proj. História, São Paulo, n. 10, p. 7-28, dez, 1993.

POMIAN, K. Memória. In: GIL, Fernando (coord.). Sistemática. Porto: Imprensa Nacional: Casa da Moeda: 2000. p. 508. (Enciclopédia Einaudi, 42)

TOMANIK, Eduardo Augusto. O que é ciência?: a ciência no discurso do cientista. In: _____. O olhar no espelho. Maringá: EDUEM, 2004. p. 55-114.

VERNANT, Jean-Pierre. Aspectos míticos da memória e do tempo. In: _____. Mito e pensamento entre os gregos: estudos de psicologia histórica. São Paulo: Difusão Européia do Livro; EDUSP, 1973. p. 71-97.

* Esse post é o opinion paper apresentado como trabalho final na parte da disciplina Metodologia de Pesquisa em Ciência da Informação ministrada pela professor André Ancona.

20 julho 2011

Biblioteconomia, 100 anos

Semana passada a criação do primeiro curso de Biblioteconomia no Brasil fez 100 anos.

Veja a postagem que fiz no Poeira de Biblioteca: http://poeirab.blogspot.com/2011/07/100-anos-de-biblioteconomia-no-brasil.html

Criação e não efetivo funcionamento, OK? Por isso meu projeto vai até 1915!